quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Decepção 23/12/2016

Eu passei 30 dias esperando pelas duas semanas que teria contigo - eu planejei, me organizei e errei pra caralho. Sabe as tais expectativas? Elas são o motivo de nossas autossabotagens.
Você chegou, e eu tinha tudo milimetricamente organizado na minha cabeça: juntos em um apê só nosso, defesa de monografia, alegre celebração da triste formatura, tempo com amigos, filmes, séries, músicas, sexo, doce, comidas, passeios - e tudo foi revirado no momento em que você colocou os pés na cidade.
O apartamento tornou-se um peso, em noites de bares até foi salvação, mas sempre com preocupações exacerbadas e um stress que não me deixava em paz: seria a monografia? Ok, isso estava no plano. A monografia - um dia estranho, me sentindo estranha.
A celebração: não foi no lugar planejado, não foi do jeito planejado, e você não estava lá - apenas teu corpo xoxo, num canto - o que gerou uma discussão regada a álcool no fim da festa, antes de gorfar.
Os amigos - de repente as decepções surgem na roda do bar, uma mentira pega no ar, alguns amigos que não eram amigos,preocupações são expostas e temos o primeiro momento de "eu discordo de você" após "não gostei da mentira". Filmes: a maioria deles você assistiu ao meu lado, mas eu sei que não queria assistir coisa nenhuma, enquanto eu me esforçava para não demonstrar que continuava estranha. Séries: uma, ótima, sensacional - mas o peso de cada episódio parecia me fazer pensar num nada absurdo. O doce foi abandonado - eu me senti sozinha numa busca que começamos juntos naquela noite surreal que está gravada na minha pele.
Eu fugi do mundo, eu vomitei palavras, eu quis não lembrar dos nossos planos pra 2018. Eu pontuei mentalmente seus defeitos e tudo aquilo que parecia me irritar e me desnortear nessa semana, durante todos os dias, e eu tentei não sentir raiva do seu amigo, mas sim, eu estou com raiva do seu amigo.
Sexo? muito, excelente, me fazendo esquecer tudo o que rodava na minha cabeça nessas duas semanas que eu não queria ter vivido dessa forma.
Então você vai embora, minha cama fica (quebrada) e vazia, e eu, que passei o dia com um leve sono me rondando, não consigo dormir de jeito nenhum. Fico procurando seus braços, sua pele, seu cheiro. O QUE ESTÁ ACONTECENDO?
Eu me descobri nada inteira - eu descobri que eu nunca vou voltar a ficar inteira, eu sempre estarei quebrada, mesmo que feliz.
Eu me descobri com medo, de você me magoar, de sair ferida de uma forma impossível de sustentar, de tudo ser destruído em um piscar de olhos. Então me peguei observando coisas tão insignificantes e as taxando como defeito surreal que me fazia distanciar dos teus olhos querendo me puxar de volta pra perto. Eu me descobri insegura.
Sim! Não parece né?
2017 é o ano que perco o meu chão chamado estabilidade, e vou correr atrás de um sonho, líquido - o medo de afogar chegou em dezembro de 2016. E você estava aqui do meu lado quando ele chegou.
Sim, você não é perfeito. Sim, eu também não sou perfeita. Mas o pouco que falta para nos ajustarmos em meio a nossas imperfeições podem ser resolvidos, ambos queremos, não é?
Eu passei 30 dias te esperando, e autossabotei minha própria felicidade em te ter aqui.
Não, não anulo os dias que você cometeu erros. Não tiro esse peso das suas costas. Mas eu sei que o que tanto me dói agora, é o peso que eu carrego pela distância que promovi entre nós.
Eu só quero que você saiba, que vou esperar mais 30 dias, para, quem sabe, conseguir te mostrar que eu estou bem perto de ti. Que tudo isso é medo de um futuro que nós não controlamos - mas que ainda assim, eu estou disposta a tentar encarar. E que o amor ficou aqui, batendo no meu peito, pensando que hora que eu ia deixar ele sair.
Eu sei que ainda vamos conversar sobre tudo, será preciso! Eu sei que vou gaguejar entre cada palavra que me deixará mais a mostra. Eu sei que eu não vou deixar de ser quebrada. Eu também sei que existe algo especial aqui, que eu não quero perder.



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